O caso
Mulher de 52 anos, menopausa natural aos 48, acompanhada por 45 meses durante cinco implantes sequenciais de estradiol 25 mg.
Artigo científico
Relato de caso publicado na Cureus, com as considerações do Dr. Guilherme Renke
O que você vai encontrar
Implantes subcutâneos de estradiol liberam hormônio por muito tempo, mas ainda se sabe pouco sobre como eles se comportam quando são repetidos. Este material reúne o relato de caso publicado na Cureus em outubro de 2026, do qual o Dr. Guilherme Renke é coautor, e as considerações dele sobre o que o caso ensina para a consulta e o que ele ainda não permite concluir.
Mulher de 52 anos, menopausa natural aos 48, acompanhada por 45 meses durante cinco implantes sequenciais de estradiol 25 mg.
Estradiol mensurável em todas as dosagens após os implantes, entre 56 e 156 pg/mL, com intervalos de 7, 13, 8 e 15 meses.
Os fogachos voltaram em dois ciclos com estradiol ainda perto de 70 pg/mL, e o FSH subiu nos intervalos mais longos.
Um caso só, sem escala de sintomas validada e sem monitoramento endometrial seriado: gera hipóteses, não define ponto de corte.
Sobre o estudo
Implantes subcutâneos de estradiol são uma forma de terapia hormonal da menopausa de longa duração, com liberação contínua e sem a primeira passagem pelo fígado. A dose de 25 mg tem eficácia clínica comparável à de doses maiores, mas o comportamento do hormônio ao longo de implantes repetidos ainda é pouco descrito.
Uma mulher de 52 anos, com menopausa natural aos 48, foi acompanhada por 45 meses, de 2021 a 2025. Ela recebeu cinco implantes sequenciais: os três primeiros com estradiol 25 mg e gestrinona 35 mg, e a partir do quarto também testosterona 50 mg, por baixo desejo sexual. A didrogesterona 10 mg por dia foi usada para proteção endometrial nos intervalos mais longos. A decisão de reimplantar levou em conta os sintomas e as dosagens seriadas de estradiol, FSH e LH, e não um intervalo fixo.
O estradiol continuou mensurável em todas as dosagens feitas depois dos implantes, entre 56 e 156 pg/mL, sem acúmulo progressivo. Os intervalos entre os implantes foram de 7, 13, 8 e 15 meses, e treze meses depois do segundo implante o estradiol ainda estava em 65 pg/mL.
Os sintomas vasomotores voltaram na fase final de dois ciclos, com o estradiol ainda perto de 70 pg/mL. No mesmo período, o FSH subiu durante os intervalos mais longos, mesmo com o estradiol relativamente estável. Nenhum evento adverso foi observado.
A reinserção não deve ser definida só pelo calendário, porque a liberação de estradiol pode durar de 13 a 15 meses. Sintomas e exames podem não andar juntos: uma concentração ainda detectável não garante controle dos sintomas, assim como não comprova deficiência de estrogênio. O aumento do FSH é um achado interessante, mas não o valida como marcador isolado para decidir o momento do novo implante.
Em mulheres com útero, a proteção endometrial é central. O caso usou didrogesterona, mas não documentou ultrassonografias seriadas nem biópsias, e por isso não permite concluir sobre segurança endometrial. E ausência de eventos adversos num único caso não é segurança comprovada.
É o relato de uma única paciente, sem grupo de comparação, com sintomas não quantificados por escala validada e sem o motivo das dosagens que faltaram. O caso não estabelece concentração ideal de estradiol, limiar de FSH nem intervalo seguro para reinserção: é gerador de hipóteses, e os achados precisam ser confirmados em estudos prospectivos.