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Artigo científico

Estetrol (E4) nos fogachos da menopausa

Ensaio de fase 3 E4COMFORT I, com as considerações do Dr. Thomáz Baêsso

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O estetrol (E4) é um estrogênio natural em desenvolvimento para a terapia hormonal da menopausa, com um perfil farmacológico diferente dos estrogênios mais usados. Este material reúne o ensaio E4COMFORT I, publicado na Maturitas, e as considerações do Dr. Thomáz Baêsso sobre o que o resultado mostra, e o que ele ainda não autoriza afirmar.

Desenho do estudo

Fase 3, randomizado, duplo-cego, com 640 mulheres de 40 a 65 anos e pelo menos sete fogachos moderados ou graves por dia.

A intervenção

Estetrol 15 mg ou 20 mg, comparado a placebo, durante 12 semanas.

O resultado

Na semana 12, 82,5% (15 mg) e 87,0% (20 mg) tiveram ao menos metade dos fogachos a menos, contra 60,5% com placebo.

Limites

Doze semanas não permitem concluir menor risco de trombose, doença cardiovascular ou câncer de mama.

Sobre o estudo

O estetrol (E4) é um estrogênio natural com um perfil farmacológico diferente dos estrogênios tradicionalmente usados na terapia hormonal. Estudos prévios sugeriram menor impacto sobre algumas proteínas hepáticas e parâmetros de coagulação, o que levantou a hipótese de um perfil metabólico favorável.

Como foi o estudo

O E4COMFORT I foi um ensaio multicêntrico de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Participaram 640 mulheres na pós-menopausa, de 40 a 65 anos, histerectomizadas ou não, com pelo menos sete fogachos moderados ou graves por dia. Elas receberam estetrol 15 mg, estetrol 20 mg ou placebo durante 12 semanas. Os desfechos coprimários foram a frequência e a intensidade dos sintomas vasomotores nas semanas 4 e 12.

Principais resultados

As duas doses foram superiores ao placebo, com efeito já na semana 4. Na semana 12, o estetrol reduziu 16,41 (15 mg) e 22,49 (20 mg) episódios por semana a mais que o placebo. A ausência completa dos fogachos ocorreu em 32,5% e 38,5% das mulheres, contra 17,4% com placebo.

Eventos adversos relacionados ao tratamento foram mais frequentes com o estetrol. Sangramento vaginal e spotting foram comuns nas mulheres com útero que usaram o estrogênio sem progestagênio.

As considerações do Dr. Thomáz Baêsso

O estudo mostra eficácia sobre os fogachos, mas não foi desenhado para demonstrar redução de trombose, doença cardiovascular ou câncer de mama. A dose de 20 mg teve os maiores efeitos em números, sem que o estudo permita afirmar superioridade estatística sobre a de 15 mg. Para as perguntas de segurança, serão necessários estudos maiores e com acompanhamento mais longo.

Dr. Thomáz BaêssoCRM-SP 235249