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Artigo científico

Endometriose e andrógenos 11-oxigenados

Perfil de esteroides revela produção adrenal alterada, com as considerações do Prof. Guilherme Renke

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A endometriose é tratada há décadas como doença estrogênio-dependente. Este estudo, publicado no European Journal of Endocrinology, mediu os andrógenos no soro de mulheres com e sem a doença e encontrou um padrão distinto. O material reúne o artigo e as considerações do Prof. Guilherme Renke sobre o que ainda não deve mudar na prática.

A assinatura hormonal

Aumento da 11-cetotestosterona (11KT) e alteração do metabolismo dos andrógenos 11-oxigenados de origem adrenal.

Potencial diagnóstico

A relação 11KT/11KA4 teve AUC de 0,968, com sensibilidade de 92,36% e especificidade de 90,91%.

Validação cega

Um modelo com IMC e três andrógenos identificou 95,65% das pacientes numa coorte de validação cega.

Limites

Associação, e não causalidade. Os testes ainda não são validados para uso rotineiro e a coorte foi europeia.

Sobre o estudo

A endometriose afeta cerca de 190 milhões de mulheres no mundo. O papel dos estrogênios é bem conhecido, mas o dos andrógenos, sobretudo os 11-oxigenados de origem adrenal, era pouco estudado.

O que o estudo avaliou

Os pesquisadores fizeram o perfil de esteroides androgênicos no soro de mulheres saudáveis e de mulheres com endometriose confirmada por laparoscopia, e usaram os dados para construir modelos estatísticos de discriminação.

O que encontrou

As mulheres com endometriose apresentaram excesso de 11-cetotestosterona e diferenças sistêmicas nos andrógenos adrenais. Um modelo com vários andrógenos e IMC chegou a AUC de 0,99, e o modelo refinado identificou mais de 95% das pacientes numa amostra cega.

Interpretação clínica

Nas considerações do Prof. Guilherme Renke, os dados sugerem um desvio do metabolismo androgênico em direção à 11KT e ampliam o conceito da doença para além da dependência de estrogênio.

O que não mudar ainda

Os achados não justificam, sozinhos, modificar a terapia hormonal nem introduzir tratamento antiandrogênico. A dosagem de 11KT ainda não é teste validado para diagnóstico de rotina, e os resultados precisam de validação na população brasileira.

Dr. Guilherme RenkeCRM-RJ (preencher)